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20 janeiro 2024

A história de Ed

Nihao! Sim, o post será sobre o Ed, para apresentar melhor o personagem para quem não prestou atenção nele em Street Fighter V e também porque eu gosto do Ed. Ed só está abaixo do Ryu no quesito personagens masculinos de Street Fighter que eu gosto.

Sim, a tia Bia aqui é louca pelo Ryu, pelas variantes do Ryu e pelo Ed.

A inspiração para o post veio de uma thread do Red Cyclone no X (Twitter), onde ele fazia um resumo da história do personagem, assim como uma thread que eu fiz sobre Ed um tempo atrás. Os links de ambas estarão no final desse artigo. Então, vamos ao que interessa.


O surgimento de Ed

A primeira vez que o personagem aparece é em Street Fighter IV, no final de M.Bison/Balrog, na base da S.I.N., que pede ajuda a ele. O boxeador nota que o garoto sabe usar o Psycho Power e o leva embora. Ainda em Street Fighter IV, Ed volta a aparecer, desta vez no final de Rose, quando Vega/Bison aparece diante dela lhe tomando algo que estava dentro dela. Quando o ditador toca em Rose, ela tem uma visão do que foi feito, mostrando rapidamente Ed.

Nas atualizações seguintes (Super Street Fighter IV, Super Street Fighter IV Arcade Edition e Ultra Street Fighter IV), Ed volta a aparecer no final de Balrog, onde o boxeador afirma que Ed é um corpo extra daquele homem (Vega/M.Bison) e se ele sabia fazer algo, pegando o garoto e o levando embora com ele.

Até então era apenas isso que tínhamos, um garotinho que sofreu experiências na S.I.N. e que era um corpo extra do ditador e que, apesar da idade aparente, conseguia manipular um pouco o Psycho Power. E de acordo com o Visual Book II (que consta na edição especial de colecionador Vital Box II de SF V), Ed foi sequestrado muito novo e ainda teve o DNA do ditador colocado em seu corpo. 


Ed em Street Fighter V

No jogo seguinte, Street Fighter V, Ed está de volta adolescente, a princípio como um aliado de Bison/Balrog, sendo um companheiro do boxeador em suas missões escusas. Por ter sido criado pelo boxeador, Ed, que parecia ter uma personalidade mais calma e inocente em SF IV, terminou ficando, de certa forma, parecido com Bison/Balrog, um tanto provocador e debochado.

Ed foi bastante ativo nos acontecimentos de A Shadow Falls, ao lado da Shadaloo, tentando impedir que os demais lutadores de atrapalhar os planos da organização. Ed também está presente em alguns modos histórias de outros lutadores, como Nash e Urien. Porém, a grande surpresa envolvendo Ed foi quando ele foi anunciado como personagem jogável.

Ao contrário do que muitos pensavam, não veríamos ele como um jovem, que aparentava no máximo ter recém completado 18 anos e sim um homem, forte e musculoso. Seu estilo de luta é o Psycho Boxing, mesclando o Psycho Power com o boxe (e chutes) de seu pai adotivo M.Bison/Balrog.

A explicação para isso nos é mostrado no modo história do personagem, onde terminamos sabendo que Ed, devido aos experimentos feitos cresceu absurdamente rápido. Tanto que uma das maiores preocupações dele era ficar velho muito rápido e Bison/Balrog ter que ficar cuidando dele. Seu crescimento começou a desacelerar, durante os acontecimentos de A Shadow Falls, mas isso não é o único fato marcante na vida de Ed durante aquele período.

Ele termina recebendo a vista surpresa de uma jovem advinha, a quem ele apelida de "biscoitinha da sorte". Menat, nome que os jogadores só descobririam mais tarde, faz uma profecia a respeito de Ed: "Quando parar de crescer, você deixará de ser quem você é." Isso fica na mente de Ed e, no futuro ele se separa de Bison/Balrog, seguindo o seu próprio caminho (com direito ao jogador perceber que o boxeador tem um coração e chora ao ver que Ed está indo embora).

Porém, temos ainda um fator que pesa na decisão de Ed: os seus pesadelos com o espírito de Vega/Bison querendo o possuir. Como diz um trecho da própria música do personagem:

"Still the nightmares creeping up at night
I'm a fragment in the mirror
See in black and white
Like who is me and who is gonna take me over
My soul is my soul in the eyes of the beholder"

"Os pesadelos ainda assustam à noite
Eu sou um estilhaço no espelho
Visto em preto e branco
Como quem eu sou e quem poderá acabar comigo
Minha alma é minha alma aos olhos do espectador"

Ou seja, mesmo o ditador estando morto, sua alma está atrás de algum corpo para poder voltar ao plano físico. 

Então, antes que a profecia possa se concretizar, Ed decide deixar Bison/Balrog. Depois disso, Ed ainda aparece no modo história de Menat e no modo história de Falke, esse último mostrando um pouco o que aconteceu com o personagem, pois a única coisa que sabíamos é que ele tinha se unido com algumas pessoas e formado a Neo Shadaloo.

Ed após isso começa a procurar outros como ele e é aí que ele conhece Falke, num laboratório provavelmente alemão da Shadaloo. Falke assim como Ed tinha pesadelos com o espírito de Vega/Bison, porém , ela não tinha mais esperanças de um dia se salvar daquele inferno. Com Ed a resgatando, eles se unem e temos o início da Neo Shadaloo, cujo o propósito é salvar outros como eles.


Devido ao fato de terem sofrido experiências pelas mãos da Shadaloo, já foi dito que Ed e Falke (que é mais velha que Ed, aparentemente) possuem idades físicas, mentais e corporais diferentes. E que apesar dos crescimento acelerado, é errado afirmar que eles são crianças, pois suas mentes, mesmo oscilando, não são de uma criança. Ambos possuem um relacionamento fraterno, de irmãos.

A partir daí, mais nada foi mostrado em SF V que contasse de fato para a lore do personagem. O final do modo arcade de Falke, que mostraria o dia a dia dos irmãos, é algo não canônico. Claro, temos o caso de Seth, que aparece diante deles, sentindo atração pelo Psycho Power, achando que eles são o Vega/Bison.

O mais relevante no jogo que sobrou em relação a Ed são as frases de Menat (que ainda na frase dele, terminamos sabendo que ele está a procura dela) e Rose:

M: "Você enfrentará dificuldades no futuro... Mas tudo bem! Definitivamente... provavelmente... talvez... espero?" 

R: "Vejo potencial em você. Espero que tome a decisão certa quando chegar a hora."

Só lembrando a vocês que é bom levar a sério essas frases de vitória delas, pois as mesmas deram uma pista para o que aguardava Ken no futuro.


O futuro de Ed

Street Fighter 6 chega nos dando dúvidas sobre o personagem e sua real índole. Em diversos momentos do World Tour é citada tanto a Shadaloo, quanto a Neo Shadaloo. Inclusive, teria sido a Neo Shadaloo que injetou Psycho Power em Bosch. Porém, conforme o jogador avança no relacionamento e treino com Rashid e A.K.I., termina descobrindo que os remanescentes da Shadaloo também a chamam de Neo Shadaloo e que eles estão atrás de Ed para ele liderar a organização. Fora que, o jogador também descobre que estão tentando trazer Vega/Bison de volta.

Ed, pelo que foi mostrado até agora, quer distância da Shadaloo e detesta Vega/Bison. Porém o seu aspecto, com olheiras e com o rosto um pouco mais magro e pele pálida, fez com que alguns jogadores cogitassem que ele poderia estar sofrendo os efeitos do Psycho Power, algo similar ao que houve com Bosch. 

Inclusive, o seu rosto em Street Fighter 6, lembra bastante do artwork da Vital Box II de Street Fighter V: um rosto mais esguio e com o olhar sombrio.

Só que sendo sincera, com base do que foi divulgado da história dele, acredito que a questão seja outra.

Se alguém prestou atenção na ficha do JP, deve ter notado um detalhe interessante: ele ODEIA dormir. E como já vimos, tanto Ed quanto Falke já tiveram problemas sérios com pesadelos, com a alma de Vega/Bison tentando possuir seus corpos. E o que eles têm em comum com JP? O Psycho Power.

Seguindo o que foi mostrado com Ed e Falke, Vega/Bison pode querer tentar possuir o usuário desse poder. Até porque devemos lembrar que, apesar de um certo fanservice, não foi mostrado que Cammy possui pesadelos com o ditador como os dois irmãos. E mesmo JP não sendo um corpo extra, é bom lembrar que Rose também não era e foi possuída e o final de Menat no modo arcade de Street Fighter V, onde ela luta contra o ditador (e tal luta foi confirmada no modo história de G), fica subentendido que ele iria tentar fazer isso com ela, mas Rose o impediu. E o Soul Power, é nada mais que uma variação do Psycho Power e sua antítese.

Os pesadelos de Ed podem ter piorado e ele pode estar numa luta interna contra Vega/Bison e mostrando sinais disso, ou seja, sua aparência cansada. Talvez possamos até cogitar que o ditador possa estar conseguindo o controle dele, remetendo ao que Menat e Rose disseram sobre os tempos difícieis e a decisão importante que Ed precisará tomar. E isso talvez a gente só saiba quando o personagem for lançado em fevereiro.

E quando isso acontecer, com certeza irei atualizar aqui.


Curiosidades

  • O nome Ed foi um erro de um funcionário da Capcom. Ao fornecerem os materiais para a criação dele, o nome que constava era Ed Boy, que vem de Ending Boy, pois ele aparecia nos finais de M.Bison/Balrog e Rose. No jogo, o boxeador o batiza assim devido ao código de barras que ele possui em seus ombros. No entanto, dentro da lore do jogo, Mike Bison/Balrog o chamou de Ed por causa do código de barras nos ombros dele.

  • Nakayama disse que nome do gorila é Baba Muwalimu. O barbudo alto, só se sabe que o nome dele começaria com a letra G. 

  • Cada um dos "reis da Neo Shadaloo" (dei esse nome só para facilitar) representa alguma habilidade/caractrística de Vega/Bison: O barbudo seria capaz de se teletransportar, o Baba, possui a inteligência e sabedoria do ditador, Falke consegue energizar objetos com Psycho Power e Ed de disparar o Psycho Power. O ditador fez isso sabendo do seu inevitável confronto com Ryu e queria ter garantias de que conseguiria voltar.


  • Curiosamente um dos trajes descartados de Chun-Li é um uniforme da Neo Shadaloo. Como o traje ao lado deste (o branco) foi aparentemente reformulado e transformado em seu terceiro traje, fica a pergunta, caso uma das próximas roupas da personagem seja mesmo o traje da organização, o que teria acontecido para ela se unir a Ed. 


  • Ed foi o ÚNICO personagem da série Street Fighter a ganhar um dakimakura (travesseiros gigantes de abraçar) oficial da Capcom. E você ainda poderia deixar ele só de cuequinha... 😏 O dakimakura encontra-se esgotado.


Espero que tenham gostado. Abaixo a thread que fiz e a do Red Cyclone que foram inspirações para esse artigo. Até mais!!


Thread Ed - Red Cyclone

Thread Ed - Bia Chun-Li


E também fiz a parte 2!

A história de Ed - 2ª parte

07 janeiro 2024

A sexualidade de Marisa, Cammy e as Dolls

Artigo publicado originalmente em 20 de junho de 2023. Atualizações em negrito.

Nihao pessoal! Estão gostando de Street Fighter 6? E do modo World Tour? Terminaram o modo arcade com todos os personagens? Bem, as perguntas são propositais, até porque teremos spoilers. Fique por sua conta e risco.

Primeiro, vamos falar de Marisa, nossa querida brucutu que é um doce de pessoa! Sim, ela é uma mulher adorável, carismática, tem um interesse inspirador por antiguidade clássica, fabrica jóias e é amiga de um leão! Isso tudo você descobre no World Tour de Street Fighter 6, uma das melhores coisas já feitas na franquia!

E tem algo que chama atenção ali: Numa das missões do jogo, onde Marisa pede ajuda para escolher o seu pretendente, que pode ser tanto uma mulher:

Marta, a primeira pretendente

Quanto um homem:

Diego, o segundo pretendente

Independente da escolha do jogador, Marisa diz que se pudesse ficaria com ambos, mas não no momento. E ainda dá uma cantada no seu avatar, dizendo que seu amor é grande, tendo espaço para mais um ali.

Da maneira mais direta possível, a Capcom, fugindo daquilo que era de costume dela fazer (explicarei mais abaixo), jogou na nossa cara que Marisa é uma mulher bissexual e poliamorosa ainda! E tem mais!

E Marisa ficou caidinha pelo nosso Ciclone Vermelho!

No modo arcade de Zangief, você termina descobrindo que ele sem querer  se candidata a ser o novo pretendente dela e mesmo inventando uma desculpa para fugir quando descobre a verdade, fica nítido que Marisa se encantou com o Ciclone Vermelho (convenhamos, o Zangief é um ursão fofo).

E no meio a tantas polêmicas envolvendo sexualidade de personagens em diversas mídias, essa parte importante na construção de Marisa foi nos apresentado de maneira tão natural e singela que chega a ser um frescor no meio de brigas de "lacradores" e "anti-lacração".

Marisa não é um personagem token, ela é carismática e sua sexualidade é apenas uma característica como tantas outras que ela possui. E isso é tratado com muita naturalidade ali. Ela não é a primeira personagem LGBT da franquia, porém, é a primeira onde isso é dito de forma direta no próprio jogo. E não, não estou considerando Poison e Roxy pois existe toda uma questão em volta delas, como expliquei neste artigo

Como disse, geralmente, falando de Street Fighter, a Capcom não é de entrar muito na questão da sexualidade de seus personagens. São poucos que nós sabemos algo no jogo como Ken, Guile, Dhalsim, Ibuki, Sakura e Chun-Li (na versão japonesa do final dela como civil de Super Street Fighter II, é dito que o rapaz assustado é o seu namorado e o mesmo aparece nos livros japoneses, sendo um relacionamento breve), fora aqueles que nos dão pistas apenas em alguns materiais japoneses, como Ryu (num dos livros ele cita que tipo de mulher ele gosta).

Então, muitos personagens terminam não possuindo nada concreto sobre o que eles realmente gostam ou tal coisa é feita de maneira meio sutil, como foi o caso de Eagle, com suas frases em Capcom vs SNK 2 e Juri e suas frases de duplo sentido para alguns personagens masculinos e femininos na franquia, como vocês podem conferir aqui. E é baseado nisso que temos o caso de Cammy.

Quem jogou o modo arcade de Cammy ficou com a pulga atrás da orelha a respeito da ex-Doll Juni, que parece ter uma intimidade muito grande com a nossa loira. Inclusive, no final de Cammy ela é a pessoa que Cammy pensa e se lembra em sua reflexão.

Não é de hoje que a Capcom deixa no ar que Cammy e Juni seriam bem íntimas, levando alguns jogadores a questionarem se elas teriam o relacionamento de irmãs. Sendo mais específica, no modo história da Cammy em Street Fighter V temos indícios disso, na maneira de como Juni age. 

É diferente do caso de Ed e Falke onde, mesmo deixando claro que os dois possuem certa intimidade, ficando explícito o quanto Falke gosta de Ed e terminamos conhecendo até um pouco de sua rotina no final de Falke no modo arcade rota SF V, já foi confirmado pelo Nakayama que Falke é a irmã mais velha ali.

E talvez você se pergunte "Mas a Cammy não chama as Dolls de irmãs?" Sim, porém o jogo deixa no ar que a relação com Juni seria diferente. Irmãs ali seria usado para referir que Cammy as considera como parte de sua família. A única irmã de fato é a Decapre, que podemos considerar sua gêmea.

Então Cammy é lésbica? Talvez não. Pode ser que ela seja bissexual.

A própria história dela dá margem para que ela possa ter se envolvido com homens e não estou falando da localização que fizeram nos anos 90 do final da Cammy, onde ela era explicitamente amante de Vega/M.Bison. Fora ilustrações oficiais como essa abaixo.

Dentre os deveres das Dolls está a obediência aos líderes da Shadaloo. Elas devem atender todas suas ordens e desejos. E bem, isso dá margem a diversas interpretações. E se formos contar ainda frases da versão japonesa e americana de X-Men vs Street Fighter temos coisas como: 

  • "Este corpo, esta vida.  Tudo é do grande Vega (M.Bison)!" 
  • "Bison e eu iremos rir disso esta noite..."

No caso das outras Dolls, sendo mais específica Juni e Juli, já era fato conhecido que Juli era a amada de T.Hawk e durante um tempo, a história de amor deles era trágica, por conta da Shadaloo. Porém, ficava a pergunta se elas eram amigas íntimas quando eram da Shadaloo ou se teriam algo a mais.

A suspeita disso deve-se ao dato delas serem retratadas juntas como se uma complementasse a outra, indo além de serem simples parceiras de luta. Sem falar ainda num  rabisco, que foi publicado na época que a Decapre foi anunciada em Ultra Street Fighter IV, baseado no final de Honda, onde ele cuida das duas até elas se casarem.

Tanto que lembro de ter lido uma discussão (acho que foi no antigo fórum SRK) onde surgiu a pergunta se elas eram lésbicas ou bissexuais e se o Psycho Power não influenciou a sexualidade delas, no caso as modificando (Juli, por exemplo, de hétero virou bissexual) ou apenas despertando para o que eram mesmo (ou seja, Juli e Juni seriam bissexuais). Sendo isso, talvez seja o mesmo caso de Cammy.

Como um amigo falou para mim esses dias, Cammy é uma moça machucada, que sofreu muito e só agora está aos poucos dando oportunidade de alguém entrar mesmo em sua vida. E calhou de ser a Juni.

Achei importante falar tanto das Dolls como certos detalhes do passado de Cammy para mostrar que, fora do período em que ela e Juni eram Dolls, quando estavam sob o controle de Vega/Bison, Juni não demonstrou interesse por homens e Cammy muito mal se sabe que ela admira Ryu (e mesmo assim não é nada comparado ao que Chun-Li ou Sakura sentem nesse quesito) e algumas poucas ilustrações que podem dar margem a interpretações diversas nos jogadores.

Além de, claro, outras mídias fora dos jogos, como o desenho americano, onde ela dá em cima de Guile claramente, sem contar a famigerada cena onde, Cammy sob o controle de Vega/Bison, tasca um beijo nele, que deixa Guile completamente revoltado! Porém, até aí, eu poderia afirmar que Chun-Li é mais próxima de Ken do que de Ryu, por conta do anime Street Fighter II V, mesmo o Street Fighter 6 mostrando que Chun-Li e Ryu são até mais próximos do que muita gente pensava.

E a Capcom, se um dia falar sobre isso de forma direta como foi com Marisa, primeiro nos mostrou toda uma construção do relacionamento das duas, não sendo uma coisa jogada ao vento, dando a impressão de que só fizeram isso pra cumprir algum tipo de cota. O que é algo muito legal, pois isso seria outro exemplo de como se fazer realmente uma boa representatividade, a despeito do que ocorre em algumas mídias ocidentais.

Claro, você pode pensar que elas são apenas amigas bem íntimas e isso se deve a tudo que passaram, mas devido a forma de como estão contando o relacionamento de ambas, fica no ar se realmente elas não teriam algo a mais. Então fica a seu critério o que isso poderia ser.

E para colocar mais lenha na fogueira, a Capcom, na comemoração do aniversário de Cammy em 6 de janeiro de 2024, lançou uma imagem um tanto fofa, mas com um comentário que, bem, deixa a entender que ela e Juni estão mesmo juntas.

"Juni me lembrou de que era o meu aniversário e pediu para voltar mais cedo para casa. Nunca pensei em comemorar o meu aniversário assim. Momentos assim precisam ser valorizados."

Claro, como disse antes, pode ser que elas sejam apenas amigas que dividem uma residência. E amigas íntimas, sem nada demais. Ou até mesmo um pouco de shippagem, como a Capcom tem feito com Chun-Li e Ryu (e isso inclui fatos do jogo). Então isso é algo que só o tempo pode dizer. 

Bem, irei terminar por aqui. Caso queiram comentar, fiquem a vontade, sejam respeitosos, concordando ou discordando comigo. Porém, lembrando que se vierem com grosseria (já que é um assunto um tanto polêmico), irei apagar porque não sou mãe de ninguém aqui para ficar aguentando ataque de pelanca. Até mais! 

05 outubro 2023

E como fica a cronologia? 13ª parte - Strider

Nihao!!! É, quem diria que eu falaria de Strider aqui! Antes de Zeku aparecer na segunda temporada de SF V, nunca imaginaria estar falandoo desta série aqui. 

Olha, eu assumo, a lore de Strider não é meu forte! Então, caso você tenha aquele conhecimento bom sobre Strider e queira apontar que eu deixei de falar algo importante, tenha algum material curioso e queira compartilhar, pode comentar tranquilamente aqui, afinal, algumas coisas desse artigo são novidades até para mim!

A princípio, eu não iria publicar este artigo agora. Para terem ideia, o de Final Fight 1 está bem mais completo e seria o próximo, mas sabe como é...

Finalmente vamos entender (ou tentar), com as informações que temos disponíveis até o momento, a conexão existente entre Street Fighter e Strider. Claro, assim, que a Capcom liberar mais alguma informação a respeito disso, terei o prazer de atualizar aqui.

Aviso de antemão que o artigo está grande, mesmo eu tentando resumir o máximo possível.

A série Strider, mesmo não sendo muito extensa, devido a certas questões da produção e de seus ports, a lore dela pode ser confusa. É, e eu achando que só Street Fighter sofria desse mal... ¬¬

Sem mais enrolações, com vocês Strider!


O mangá

Sim, irei começar falando do mangá aqui, pois ele é de suma importância para tentar entender parte da  lore da série. Quando Strider foi concebido, ele começou como um projeto multimídia. A Capcom e o grupo de artistas de mangá Motomiya Kikaku trabalharam na série juntos, em três direções diferentes: um mangá, um jogo para o Famicon (NES) e um para arcade, possuindo o título Strider Hiryu. 

O mangá saiu pela Kadokawa Shôten entre maio e outubro de 1988, possuindo ao seis capítulos e mais um capítulo bônus, lançado em dezembro. Os jogos (tanto de NES quanto de arcade) estavam sendo produzidos simultâneamente e foram lançados em 1989.  

Mariya, irmã de Hiryu.

O prólogo do enredo do mangá tem início dois anos antes, onde descobrimos que Hiryu deixou a organização Strider após uma missão onde fora forçado a matar a própria irmã, Mariya, após, aparentemente, ela enlouquecer. Desde então ele vive pacificamente na Mongólia, junto de uma aldeia nômade e de uma garotinha de nome Rin.

No próprio grupo dos Striders, o fundador e diretor Kuramoto deixou suas funções devido a sua idade e o seu vice, o cruel e ambicioso Matic, assume o seu lugar, tendo seus próprios planos para a organização.

Há vários levantes armados na Federação Cazaque no ano de 2048, contra o governo opressor. O partido que está no poder então cria a Polícia Secreta do Cazaque, uma força policial clandestina, que possui ordens para parar esses grupos rebeldes a qualquer custo. Após a derrota dos rebeldes, eles contratam o grupo dos Striders para ajudar na sua causa.

Hiryu volta para a organização ao lado do seu amigo Kain e juntos, irão lutar contra a organização Enterprise, que desenvolveu uma máquina de lavagem cerebral que possui o codinome ZAIN e com ela querem controlar a humanidade, assim como uma facção traidora dentro do próprio Strider.

O mangá foi desenhado por Tatsumi Wada e escrito por Tetsuo Shiba e ele possui uma continuidade diferente daquela apresentada no arcade. Só que, como disse anteriormente, a existência dele servirá para entender certas questões envolvendo a lore da série.

Devido a colaboração entre a Capcom, o Motomiya Kikaku é citado no copyright da série em qualquer jogo que Hiryu apareça e na versão arcade do primeiro jogo, temos ainda a citação da Kadokawa Shôten. 


O jogo de arcade

Plot - Revista Gamest 31, página 105:

《プロローグ》

・AD 2048年、冥王歴元年。

絶対の防衛力を誇るロシア 帝都に潜入する、ひとりの暗 躍者がいた。

その腰に差した武器は、 プ ラズマエネルギーによってあらゆる物体を切断する光剣、"サイファー"。肩にはカマに 似た登行器を携帯している。彼の属するストライダーズ" はどんな依頼にも応じる 戦闘、諜報のプロフェッショナル集団であり、今、彼は、最も重要かつ危険な任務についていた。

全世界を支配する謎の冥王"グランドマスター"を消す。いったい誰がこんな恐るべき任務を依頼したのか。しかし、彼がプロの暗殺者である限り、その人物について語る筈はなかったし、彼自身にも興味はなかった。

この時、すでに全世界、全人類は“グランドマスター"の足元にひざまついていたのだ。

その偉大なる冥王に対する最後の反逆者。彼は、その鍛 え抜かれた体技によって、帝都の伽藍を登り、兵を斬り倒し、高層ビルの谷間を飛び渡る。

彼の名は飛竜ー。

***

Prólogo: 2048, o primeiro ano do calendário Meiou.

Houve um agente secreto que se infiltrou na capital imperial russa, que ostentava um poder de defesa absoluto.

A arma amarrada em sau cintura é a Cypher, uma espada leve, energizada com plasma, que pode cortar qualquer objeto. Ele carrega um ddispositivo de scalada semelhaante a uma foice no ombro. Ele pertence aos Striders, um grupo de profissionais do combate e de inteligência que respondem a qualquer solicitação e ele está atualmente na sua missão mais importante e perigosa.

Elimine o misterioso Grão-Mestre Meio que governa o mundo inteiro. Quem diabos encomendou uma missão tão terrível? Porém, enquanto for um assassino profissional, não teria como falar sobre a pessoa e ele próprio não tinha interesse.

Neste momento, o mundo inteiro e toda a humanidade já estavam de joelhos aos pés do Grão-Mestre.

O último rebelde contra o grande Meio. Com suas habilidades físicas bem treinadas, ele pode escalar os templos da capital imperial, abater os soldados e voar entre os arranha-céus.

Seu nome é Hiryu.


Plot - Strider Hiryu Visual Chronicle:

STORY西暦2042年。世界は冥王グランドマスターによって支配された。彼は「第三の月の都」を打ち上げ、地球上の全生物を焼き尽くし、自身が作り出した生命を大地に満たそうと計画していた。それから6年後、グランドマスターを討たんと酷寒の帝都キエフに一人の男が降り立つ。彼の名は「飛竜」。諜報と暗殺のプロフェッショナル集団「ストライダーズ」に所属する、特A級のエージェントである。鍛え抜かれた体術とプラズマエネルギーによってあらゆる物を切断する光剣「サイファー」を武器に、飛竜は決死の単独行にのぞむ。  

*** 

História: 2042 D.C. O mundo foi dominado pelo Grão-Mestre Meio.  Ele planeja lançar a "Cidade da Terceira Lua", contra a Terra, queimando todas a vida existente para substituí-la pela vida que ele criou. Seis anos depois, um homem desembarca em Kiev, a fria capital imperial, para derrotar o Grão-Mestre.  Seu nome é "Hiryu".  Um agente especial de classe A, pertencente ao grupo profissional de espionagem e assassinato "Striders". Armado com as suas capacidades físicas bem treinadas e a Cypher, uma espada leve que utiliza energia de plasma para cortar tudo no seu caminho, Hiryu parte para uma missão desesperada em terra. - Tradução feita com auxílio de tradutor on-line, caso tenha uma melhor, pode me madar. ^^

Lançado para a CPS-I em 1989 nos arcades foi um jogo memorável, que fez sucesso na época, sendo posteriormente convertido para outras plataformas. Ele possui cinco fases longas (verdadeiras "comedoras de fichas") e que nos passa a ideia de como está a Terra após o domínio de Meiou. São elas:

  • Moon's Russian Capital/St. Petersburg - Capital da Federação Cazaque e a capital imperial da Rússia, que fica na Europa oriental. A cidade serviu como base de Meiou desde sua apariçãio na Terra.

  • Running through Siberia/Siberian Wilderness - Área localizada na Rússia, em sua parte asiática, abriga bases secretas de Meiou. É a segunda fase na versão arcade.

  • Destruction of the Battleship Balrog/The Aerial Battleship - Terceira fase da versão arcade, é um gigantesco porta-aviões que domina os céus, a serviço de Meiou.

  • Unexplored Amazon/Adventure in Amazon - Quarta fase que se passa na floresta amazônica, onde Hiryu enfrenta amazonas e dinossauros. Ao derrotar o dinossauro mecânico Lago, umaa das amazonas revela que Meiou veio da Terceira Lua, junto dos dinossauros. 

  • The Third Moon - É um satélite artificial que é a base e centro de poder do Grão-Mestre Meiou. Ela foi construída com tecnologia avançada e recursos encontrados na Terra, sendo uma verddadeira fortaleza, onde Meiou realiza suas experiências.
Tong Pooh em Namco x Capcom

Antes de enfrentar Meiou, Hiryu termina enfrentando vários inimigos. Dentre eles, um que posso destacar é Tong Pooh, uma das Kuniang, que fez diversas participações em crossovers envolvendo a Capcom, como Marvel vs Capcom, que possui uma lealdade cega a Meio e fará de tudo para ajudá-lo a cumprir seus objetivos. 

O primeiro jogo termina com Hiryu invadindo a fortaleza de Meio e o derrotando, encerrando de vez sua ambição de destruir a vida na Terra para substituí-la por suas criações.

Tendo uma boa recepção, Strider foi portado para computadores e consoles da época. E é aqui que temos modificações no plot original da série, onde, dependendo da versão jogada, vai desde alguma adição na trama ou algo completamente novo.

E eu achando a lore de Street Fighter complicada.


A versão de NES

A começar pela versão de Nintendo, que na época foi lançada apenas no mercado norte-americano em 1989, tendo sido planejada para ter sido lançada em 1988 no Japão e após adiamentos, foi cancelada, por motivos desconhecidos. 

Essa versão, que foi uma colaboração da Capcom com o grupo Moto Kikaku, segue o roteiro visto no mangá e foi considerada por algum tempo como uma "adaptação" reformulada da versão arcade para o console, devido as limitações técnicas do mesmo. Porém, como vimos mais acima, ela estava em desenvolvimento simultâneamente com a versão dos fliperamas.

Sendo baseada no roteiro do mangá, sua história é diferente da versão do arcade, onde vemos o Grão-Mestre Meio tomando o controle da Terra. O inimigo aqui é a organização Enterprise aliada ao grupo Strider.

Plot - Manual.

 


Strider é o grupo de manobras furtivas mais forte do mundo. É especializado em contrabando, sequestro, demolições, perturbações, etc. Um strider de grau C equivale a uma equipe bem treinada do corpo especial.

Hiryu era o mais jovem strider de classificação Super-A. Depois da eliminação sua irmã, uma strider louca de grau A, ele decidiu se aposentar e passou sua vida pacificamente na Mongólia.

Um dia o vice-diretor do Strider, Matic, apareceu. Aparentemente, Kain, amigo de Hiryu, foi capturado pelo inimigo. Matic ordenou que Hiryu destruísse seu amigo Kain e ameaçou começar a massacrar os mongóis se Hiryu recusasse.

Hiryu não teve escolha a não ser retornar. Após resgatar Kain, ele descobriu o terrível plano concebido pelos Striders e uma organização chamada Enterprise, um projeto maligno chamado ZAIN.

Hiryu decidiu destruir ZAIN, a arma de controle mental, assim como a Enterprise e os Striders. O destino do mundo está em jogo.

O jogo possui novos personagens, sendo os mesmos do mangá e alguns originais do jogo e sete novos estágios, sendo eles: Cazaquistão, Egito, Japão, China, África, Los Angeles e Austrália.


Strider nos computadores domésticos da época

Strider também saiu para os computadores domésticos da época, Amiga, Atari ST, Commodore 64, Amstrad CPC, ZX Spectrum e PC-DOS. Uma versão para SAM Coupé chegou a ser planejada, mas nunca foi lançada.

O jogo foi publicado pela US Gold, sob licença da Capcom e as conversões foram desenvolvidas pela empresa britânica Tiertex. O único suporte que a Capcom deu foi fornecer à Tiertex um arcade para reproduzir e extrair os gráficos.

Quanto ao enredo, diferente do que vocês podem ter imaginado, por se tratar de um port da versão arcade, não é o mesmo e todas as versões dos computadores compartilham o enredo modificado!

Plot - US Gold e Tiertex:

Como Strider, sua tarefa é se infiltrar no Exército Vermelho Russo e devolver os segredos do inimigo aos seus superiores. Sua missão começa na Praça Vermelha, e depois de lutar contra os ataques da KGB lá, você deve abrir caminho até os picos nevados da Sibéria, para enfrentar os elementos e o inimigo. Se você sobreviver ao teste gelado, suas ordens serão seguir para as terras baixas do sul, onde tribos da selva espreitam com lanças e flechas envenenadas. Depois regresse a Moscou para enfrentar o Grão-Mestre do Exército Vermelho - o futuro do mundo ocidental depende do seu sucesso neste confronto final. 

Como podemos ver, todo o elemento de invasor alienígena foi retirado, substituído pelo contexto da Guerra Fria. Só que essa não foi a única mudança. O final foi reescrito e descobrimos que aquilo tudo era uma simulação e o confronto verdadeiro estaria por vir. 

O mais curioso, e bizarro, disso é que os programadores reaproveitaram alguns sprites para fazer esse final e com isso temos Tong Pooh e o General Mikiel parabenizando o seu inimigo por ter passado na simulação!

Essas conversões, apesar de terem sido até que bem recebidas na época, são criticadas atualmente pelos fãs, devido a fatores como física estranha, velocidade mais lenta, entre outros.


A versão de Mega Drive

Em 1990 chega a versão de Mega Drive, que foi muito elogiada, devido a fidelidade com o jogo original e sendo declarado como o jogo do ano pela revista EGM. 

No que se refere a lore, ela deu uma incrementada naquela lançada da versão arcade, adicionando detalhes que não foram ditos anteriormente e que terminou sendo utilizados no livro Strider Hiryu Visual Chronicle, que vocês puderam ler mais acima, como por exemplo, quando o Grão-Mestre Meio apareceu, no ano de 2042.

A versão em inglês do manual ainda nos dá mais detalhes, com alguns termos exclusivos dessa localização, que não estão presentes na versão japonesa, como a Ilha Moralos, o local secreto de treinamento dos Striders. Também houve uma mudança no ano dos acontecimentos: Enquanto que a versão japonesa tem como ponto de partida na lore o ano de 2042, quando ocorre a conquista da Terra, a americana começa em 1998. Caso tenha curiosidade de ler a lore traduzida de ambos os manuais, assim como a ficha de Meio, eu disponibilizei aqui.


O jogo de Master System

Em 1991 veio a versão de Master. Apesar desta versão se dizer um port do Mega, ela foi na verdade programada pela Tiertex, que converteu o jogo a partir de suas conversões para os computadores domésticos. Com isso ela não possui a mesma qualidade da versão de Mega Drive.

A história é praticamente a mesma vista no Mega Drive, porém com o final visto nas versões dos computaadores domésticos feitas pela Tiertex, ou seja, que tudo aquilo é uma simulação e que a batalha real estaria por vir. 

Essa versão nunca saiu no Japão. Caso tenha curiosidade, neste link está o manual brasileiro do jogo para Master, com a história traduzida.


Strider para Sharp X68000

Em 27 de novembro de 1992 saiu a versão para Sharp X68000, um computador doméstico exclusivo do Japão. Ela é quase perfeita do arcade, com pouquíssimas diferenças, sendo até mais fiel que o jogo de Mega Drive.

Como não encontrei o manual do jogo, posso deduzir que não houve nenhum acréscimo na lore. Caso alguém tenha e queira me mandar, mesmo que seja só a página com a lore, fique a vontade.


Strider no PC Engine

Em 22 de setembro de 1994 saiu a versão de PC Engine, desenvolvida pela Dice Creative e publicada pela NEC Avenue, um CD-ROM para o add-on Arcade Card. Essa versão ficou famosa devido ao seu desenvolvimento prolongado, pois sairia originalmente como um HuCard para o PC Engine SuperGrafx em 1990.

Essa versão, que é uma expansão daquela vista no arcade tendo poucas diferenças, contém cenas animadas, a trilha sonora ganhou uma versão arranjada com qualidade de CD, uma nova personagem, a Strider feminina que ajuda Hiryu na comunicação com a base dos Striders e até uma nova fase:

  • Oil Fields - O estágio exclusivo dessa versão, é um deserto próximo a capital, que é controlado pela Federação Cazaque. Ele é o segundo estágio do jogo.

No enredo do jogo, ganhamos uma nova origem para o grupo: os Striders seriam, agora, uma organização secreta criada pelas Nações Unidas para lidar especificamente com o Grão-Mestre Meio.


A continuação de 1990

Devido ao sucesso do jogo e ao fato de ainda terem a licença, a US Gold e a Tiertex fizeram a sua continuação da série, intitulada como Strider II. 

Strider II saiu para  Amiga, Atari ST, Commodore 64, Amstrad CPC e ZX Spectrum, como também para Master System, Game Gear e Mega Drive, sendo os dois últimos com o título de Journey from Darkness: Strider Returns. Uma versão para Amstrad GX4000 e um port para Atari Lynx estavam sendo desenvolvidos e previstos para 1991, mas nunca foram lançados.

No que se refere a história do jogo, há certas considerações a se fazer, pois, dependendo da versão jogada, o entendimento será diferente.

Nas versões dos computadores domésticos, temos uma continuação direta do plot modificado da US Gold e da Tiertex.

Plot:

O Guerreiro retorna após sua conquista do bloco soviético para achar seus serviços e ser solicitado em outro MUNDO! A líder feminina do planeta Magenta foi sequestrada por aliens terroristas que agora estão mantendo seu mundo como refém. Em troca de sua ajuda, os magentanos darão ao guerreiro um laser devastador de alta velocidade Gyro e um conversor de matéria que, quando suficientemente carregado, irá transformá-lo ciberneticamente numa Unidade de Combate Mecânico de Elite. Nessa forma, ele deverá ser capaz de derrotar qualquer coisa que os terroristas possam lançar contra ele... Ou foi o que os magentanos lhe disseram.

Como vocês podem notar, nessa versão o Strider presente aali não era Hiryu e aparentemente não tinha um nome, sendo apenas conheciddo como "O Guerreiro".

Nas versões lançadas nos consoles da Sega, temos elementos que pode dar ao jogador a interpretação dela ser continuação da história da versão americana apresentada neles.

Na versão de Master System, que foi lançada na Europa e no Brasil em 1993, temos a citação de que as simulações acabaram, fazendo referência ao final do primeiro jogo no console. Outro detalhe interessante é que a mulher capturada ganhou um nome: Princesa Magenta. E ela ali é o interesse amoroso de nosso herói. Curiosamente, na versão de Master não há menção de que a aventura se passa em outro planeta. E temos um detalhe curioso. Enquanto que no manual europeu o vilão é chamado apenas de Mestre, no manual brasileiro ele é chamado de Mestre Meio. 

Strider Hinjo salvando Lexia

Na versão de Mega Drive, lançada em também em 1993 (assim como a de Game Gear), temos também uma mudança no plot. Meiou, no manual chamado de Mestre do Mal ("Ele é maldoso ele é desleal..." - desculpe, não resisti) e no jogo apenas de O Mestre, após sua derrota, resolve se  vingar dos Striders e coloca sua nave, a Prision Ship na órbita de nosso planeta e pretende transformá-lo num buraco negro e ainda sequestra Lexia, como garantia contra seu inimigo. Também há menção a Ilha Moralos e também nos é apresentado o nome deste Strider: Hinjo. 

Ou seja, como disse, apesar de ser praticamente o mesmo jogo, a lore muda e até mesmo o nome dos personagens, como é o caso da personagem feminina que Strider tem de salvar. No caso específico do Strider, a mudança de nome ocorreu devido a problemas de direitos autorais, visto que Strider Hiryu não é apenas propriedade da Capcom. 

Essa continuação recebeu, de forma geral, críticas mistas e a versão de Mega é ridicularizada devido a uma série de problemas que o jogo possui. Porém, durante muito tempo, essa foi a única continuação da saga dos Striders.


A continuação canônica


Plot - Strider Hiryu Visual Chronicle:

冥王グランドマスターの野望が潰えて2000年の時が過ぎた。 だが、 世界を再び恐怖で覆ったのは、 同じグランドマスター の名を持つ、一人の男であった。 特殊機関ストライダーズ は、奇しくも2000年前にグランドマスターを討った男と同 じコードネームを持つ、 特A級エージェント・飛竜に冥王抹 殺の命を下す。 しかし、 指令が下された直後、 飛竜と同じ特 A級ストライダー飛燕の造反により、 ストライダーズは壊 滅。 ただ一人生き延びた飛竜は、2000年前の因縁に終止符 を打つべく、世界を相手に絶望の荒野を駆け抜ける。

***

Se passaram 2.000 anos desde que a ambição do Grão-Mestre Meio foi destruída. Porém, um homem com o mesmo nome, Grão-Mestre, cobriu o mundo de medo, mais uma vez.A agência especial Striders ordena que Hiryu, um agente especial de classe A com o mesmo codinome daquele que matou o Grão-Mestre há 2.000 anos, mate Meio. No entanto, imediatamente após a ordem ser dada, os Striders foram destruídos pela rebelião de Hien, um Strider especial de classe A como Hiryu. Sendo o único sobrevivente, Hiryu atravessa deserto do desespero contra o mundo para pôr fim a sina de 2.000 anos atrás. - Tradução feita com auxílio de tradutor on-line, caso tenha uma melhor, pode me madar. ^^

Depois de muito tempo, após aparições de Hiryu e Tong Pooh em Marvel vs Capcom, finalmente os fãs da série ganharam uma continuação, em 1999 para os arcades e em 2000 para PlayStation. 

E você, que provavelmente já deve estar com as vistas cansadas de tanto ler, deve até estar pensando "Ah, como é uma continuação direta da Capcom, acabou problema com a bagunça da lore!" Sinto lhe dizer, mas... Errou!

Agora vamos nos dar as mãos e chorar em posição fetal.

O Plot que vocês leram mais acima, foi publicado em 2014, já revisado. Na época do lançamento do jogo, a coisa era um pouco confusa.

Isso começa devido ao fato que Strider 2 era para ter sido um remake do jogo original de arcade e isso é bem perceptível nas diversas semelhanças entre os jogos em diversos elementos apresentados na época. 

Na abertura do jogo para arcade não há menção nenhuma de que no passado um Strider derrotou Meio e no manual de PlayStation (versão americana, até o momento não encontrei o japonês) também não há menções do confronto no passado, apenas temos mais alguns detalhes sobre como está o mundo naquele futuro. 

O jogador só descobre que o jogo se passa dois mil anos após o primeiro jogo no final, num diálogo entre Hiryu e Meio. Com isso temos personagens com os mesmos nomes e aparência daqueles do jogo original, mas que seriam "pessoas diferentes" e mais alguns personagens novos, numa história atualizada daquela vista nos anos 80, mas que se passa num futuro após os acontecimentos do jogo original. 

Strider 2 foi bem recebido e elogiado em sua época, sendo bem querido pelos fãs da série, o que torna a lore um tanto confusa apenas um mero detalhe.


Strider de 2014

Plot - Comunicado de imprensa oficial por Gamasutra.com:

O ano é Meio: 048, num futuro distópico alternativo da Terra. O planeta inteiro sofre sob o domínio opressivo e com mão de ferro do misterioso e onipotente Grão-Mestre Meio. Especialista em sabotagem e assassinato, Hiryu é o recruta mais jovem a obter uma Classe A Especial no infernal programa de treinamento Strider, e é o único homem capaz de cumprir a missão de eliminar o Grão-Mestre Meio.


Plot - Strider Hiryu Visual Chronicle:

冥王歴0048年冥王グランドマスターの支配下に置かれ て久しいこの世界に、かねてより歴史の裏舞台で暗躍を続け てきた謎の組織があった。 受けた任務は必ず完遂させる、諜 報と暗殺のプロフェッショナル集団。 わずかにその組織を知 る者は彼らを"ストライダーズ"と呼んだ。 その組織に所属 する特A級ストライダー"飛竜" のもとに指令が下る。 「全 世界の支配を目論むグランドマスターを抹殺せよ。」 無謀と も思えるその任務に、 飛竜はただ答えた。

「承知。」

***

No ano 0048 do Calendário de Meio, neste mundo está há muito tempo sob o controle do Grão-Mestre Meiou, existe uma organização misteriosa que opera nas sombras há algum tempo. Um grupo de profissionais em inteligência e assassinato que sempre cumprem qualquer missão que recebem. Os poucos que conheciam a organização os chamavam de “Striders”. Uma ordem é dada ao Strider especial da classe A, Hiryu, que pertence a organização: "Erradicar o Grão-Mestre que está conspirando para governar o mundo inteiro.'' E Hiryu simplesmente respondeu a esta missão aparentemente imprudente:

"Entendido." - Tradução feita com auxílio de tradutor on-line, caso tenha uma melhor, pode me madar. ^^

O último jogo da série, que nos apresentou uma releitura para a clássica história de Strider e sua batalha contra o Grão-Mestre Meiou, para um público mais moderno, usando como referência para isso elementos de jogos anteriores da série, de Marvel vs Capcom, do jogo de NES e até do mangá, além de um novo visual para antigos personagens. Sem contar que nessa versão ainda conhecemos a forma original de Meio, Meio Prime!

Apesar de alguns considerarem esse jogo como um reboot da série, tanto os desenvolvedores da Double Helix quanto a própria Capcom, não pretendiam que ele fosse e muito menos que substituísse os jogos anteriores da franquia. Na verdade, esse Strider é um jogo da franquia sem vínculos diretos com os jogos anteriores, algo semelhante a franquia de filmes de James Bond. Então, creio eu, que não seria errado afirmar que ele pertence a um outro universo, similar ao que ocorre com o Strider de NES.

O jogo foi bem recebido tanto pelos fãs quanto pela crítica e até o momento é o último jogo da série.


Linha do tempo

Como puderam comprovar, Strider possui uma lore um tanto confusa. Apesar da série ter até que poucos jogos, o mangá, as atualizações do plot conforme novos ports eram lançados na época, fora a modificação da história feita nas versões da US Gold e Tiertex e os jogos lançados em 1999 e em 2014, podem causar uma verdadeira confusão na cabeça de quem não conhece muito bem o universo da série (e não duvido que isso ocorra também com aqueles que conhecem).

Com isso, podemos tentar organizar desta seguinte forma:

Universo do mangá :

  • Strider(NES) - Com o mangá servindo de complemento, pois alguns detalhes do plot do jogo são melhor desenvolvidos ali.

Universo do arcade original:

  • Strider - O arcade e demais versões que acrescentaram informações para a lore do jogo e que foram canonizadas pela Capcom;
  • Journey from Darkness: Strider Returns - Versão de Mega que se encaixaria nessa linha do tempo, sem grandes problemas, seguindo as modificações feitas na lore da versão americana. Considerada pelos fãs durante um bom tempo como uma possível continuação, até Strider 2;
  • Strider 2 - Continuação direta do que foi apresentado no arcade original, feito pela Capcom. A princípio seria um reboot. 

Universo US Gold e Tiertex (não-canônico):

  • Strider - Versão para computadores domésticos com a lore alterada.
  • Strider II - Continuação feita com a história seguindo o roteiro alterado.

Universo novo:

  • Strider - O jogo de 2014, que não deve ser considerado um reboot.

E agora vocês devem estar se perguntando:"Ok e onde é que isso tudo pode se encaixar em Street Fighter?" 

É o que veremos, finalmente, a seguir.


Relação com Street Fighter

A relação de Street Fighter com Strider é antiga, nos remetendo aos primódios da produção de Street Fighter II.

Trecho da entrevista onde Akiman comenta sobre o visual, ao lado de um conceito de Chun-Li.

Akiman, o criador da personagem Chun-Li, confirmou numa entrevista em 2012 para o livro Street Fighter Art Works Kiwami, que o visual da personagem Tong Pooh serviu de inspiração para a personagem Chun-Li. No Secret File de Street Fighter III: New Generation, ainda faz uma brincadeira com isso, dizendo que Tong Pooh seria a nova Chun-Li e no antigo site japonês de Marvel vs Capcom, já levantava as suspeitas disso, na ficha de Tong Pooh.

Ainda temos o já conhecido easter egg no cenário de Ken na Street Fighter Zero 2, onde Strider Hiryu é um dos personagens de fundo. E também poderíamos citar o porta aviões Balrog, que possui o mesmo nome de um dos Quatro Reis da Shadaloo (sendo o espanhol ou o boxeador, dependendo da versão).

Porém, a grande ligação entre as séries, ao ponto de realmente fazer parte do roteiro, não sendo apenas um easter egg, iria vir de um outro personagem: Zeku, o mestre de Guy, que ao que tudo indica, poderá ser em algum momento o Strider original.

Em Street Fighter V, vemos um Zeku mais velho que aquele apresentado na saga Zero/Alpha, com novos planos, após ter passado o legado do Bushinryu para Guy. Ele pretende criar um novo estilo marcial e buscar discípulos para ele. Ao ficar contemplando sobre que contribuições que sua nova arte poderia deixar para a sociedade atual, ele e seu eu mais jovem resolvem sugerir nomes para ela e um deles é Striders (que infelizmente foi traduzido para "Passos Largos" na adaptação em PT-BR). 

E para estreitar ainda mais a relação de SF e Strider, Zeku possui um traje quase idêntico ao de Hiryu (e outro que é praticamente igual), além de sua movimentação também fazer referência ao personagem.

Com isso, a questão que fica é se o que foi apresentado em Strider será de fato o futuro do universo de Street Fighter ou se teremos algo semelhante ao que apresentei em WarZard/Red Earth: onde alguns elementos são realmennte canônicos, mas o jogo em si, talvez não seja/não é. Sem contar que ainda fica o questionamento, qual seria a linha seguida, se o jogo Strider for realmente canônico? A do jogo clássico? A versão de 2014, que esteve presente em Marvel vs Capcom: Infinite? Ou a mais improvável (ao meu ver) a do mangá?

O próprio Nakayama numa entrevista que ele deu para a Spin Magazine disse para ficarmos de olho em Strider, se quisermos alguma pista para o futuro de Street Fighter.

"Eu mencionei que incluímos inúmeras pistas, mas há segredos não descobertos sobre os seguintes tópicos: Zeku e Strider, Q e G (e) A Força Aérea dos Estados Unidos e Byron Taylor."

E vocês, o que pensam disso? Qual seria o caso de Strider em Street Fighter? Por fim, a linha do tempo da série Street Fighter ficaria desta forma:

  • War-Zard/Red Earth (Arumana IV/Clara Tantra e a besta Secmeto/Ravange existiu em algum momento no passado de Street Fighter, porém, o jogo de origem dos personagens não é canônico);
  • Street Fighter;
  • Final Fight (que aconteceria durante o SF 1);
  • Street Fighter Zero / Alpha;
  • Street Fighter Zero / Alpha 3;
  • Final Fight 2 (que pode ter ocorrido durante e ter terminado a tempo de Maki participar dos eventos de SF Zero 3, ou um pouco antes);
  • Rival Schools (seus eventos podem ter ocorrido antes, ignorando o fato de que se passaria nos anos 90 conforme era originalmente, durante ou depois de SF II);
  • Street Fighter II (incluindo as Supers);
  • Final Fight 3 (depois de SF II, ao meu ver, ele pode ser encaixado na mesma época do SF II);
  • Street Fighter IV;
  • Street Fighter V;
  • Street Fighter III;
  • SF III – 3rd Strike;
  • Captain Commando (eliminado até segunda ordem, alguns personagens do jogo são canônicos no universo principal); 
  • Strider (? - talvez apenas alguns elementos sejam canônicos, não necessariamente o jogo).

Curiosidades: 

  • Existe um erro de tradução do manual do NES sobre Mariya: Ali é dito que "Após eliminar a irmã de um louco Strider de classe A, ele decidiu (...)", quando o correto, que é mostrado no jogo, é que ele matou a própria irmã que teria enlouquecido. No quarto parágrafo há também um erro de digitação, pois diz "Hiryu dad no choice (...)", coisa que fica um tanto estranho, pois não há menções do pai de Hiryu. OI correto ali seria "had" e não "dad", para fazer sentido.

  • As Amazonas, presentes no primeiro Strider, ficariam a princípio, com um dos seios a mostra no jogo de arcade, ideia que foi descartada e deixaram uma folha cobrindo a nudez. Na versão de Mega Drive, em vez de uma folha cobrindo um dos seios, temos apenas um pouco mais de roupa.

  • O design original do personagem General Mikiel provavelmente é baseado no ex-presidente russo Mikhail Gorbatchev.

  • Ouroboros, um dos chefes de fase do jogo original possui uma foice e um martelo como armas, os símbolos do comunismo.

  • O número e as integrantes das Kuniang variam. Em Strider e Strider 2 eram Tong Pooh, Sai Pooh e Pei Pooh. Porém, no arcade há uma luta opcional na última fase, com uma quarta integrante, que se parece com Tong Poo, só que com uma roupa cinza. Algumas fontes oficiais chamavam essa personagem de Black Tong Pooh. Em Namco x Capcom o jogador enfrenta várias dessa personagem no jogo e ali elas são clones dde Tong Pooh, de nome Nang Pooh. No Strider de 2014 Sai Pooh foi substituída por Nang Pooh como uma das integrantes e temos ainda a mestra delas, Xi Wang Mu, que é apresentada como a quarta membro da equipe, mesmo sendo raro todas lutarem juntas.

  • No original japonês o nome do Grão-Mestre Meio se escreve desta forma: 冥王グランドマスター, que é lido como "Meiō gurandomasutā". "Gurandomasutā" é a forma japonesa de se dizer Grand Master. Já os ideogramas que compõe o nome Meio significam literalmente "Rei (王) do inferno (冥) ". Uma tradução alternativa de Meio, com base nos ideogramas, seria Hades ou Plutão, o senhor do submundo na mitologia greco-romana.

  • Na biografia de Meio em Strider 2014 é dito que ele é um alienígena, assim como ocorre com o manual em inglês do Mega Drive do primeiro jogo da série. Porém, o perfil do personagem, seja Meio ou Meio Prime (sua forma original), na versão japonesa, deixa vago qual seria a real origem do personagem.

Bem, o artigo termina aqui. Espero que tenham gostado e me desculpem se ficou muito longo, mas foi preciso para um melhor entendimento sobre a série.

Até a próxima e não deixem de ler os artigos anteriores! 

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