02 abril 2026

Alex: Quando a fandom passa dos limites

Nihao! O posst de hoje é praticamente a versão do blog do vídeo que eu fiz sobre o comportamento da fanbase em relação ao Alex, que se você ainda não assistiu, pode conferir abaixo.


Achei melhor fazer uma versão escrita, não apenas por gostar de postar aqui, mas também, para ter um registro escrito do que eu disse, para todos terem acesso, sem as restrições de palavras que o YouTube impõe. Então, vamos direto ao assunto.

Como todos sabem, Alex foi lançado e com isso veio tanto o modo arcade quanto o World Tour, onde nos é revelado que ele se casou com Patricia, filha do seu mestre e figura paterna, Tom. 

Kyrie e Nero da série Devil May Cry

Esse tipo de plot, do herói que tem o mestre como um tipo de pai, ou um órfão que é acolhido por uma família, esse mestre ou família tem uma filha e eles crescem juntos, até que em dado momento eles se apaixonam, pois, não possuem laços sanguíneos (entenda, irmãos de sangue) para tornar tal relação proibida é bem comum em obras japonesas, seja ela mangá, anime ou até mesmo games.

Porém, parece que o azar veio para perseguir Alex, de qualquer forma.

Quando Alex teve sua estreia em SF III, terminou sendo rejeitado ccomo protagonista pelo público (me desculpe fãs do Alex, mas foi isso que aconteceu na época). E para piorar, ele teve uma participação um tanto irrelevante, no quesito lore, em SF V. Quando, finalmente, tem sua volta triunfal de SF 6, veio com algo que chocou parte da fanbase ocidental: Patricia seria uma parente distante dele, sua prima de segundo grau. 

E, lembrando o que eu disse no artigo anterior sobre esse assunto, conforme o jogo, quem começou a sentir algo primeiro foi Patricia, pois Alex estava mais preocupado com treinos e carros.


Para quem não entendeu, ou não sabe, prima de segundo grau é como popularmente se chama os filhos dos primos dos seus pais. Ou seja, Patricia não é prima direta dele e sim filha do primo da mãe dele.

O casamento entre primos de segundo grau, como eu também expliquei no último artigo sobre Alex, é permitido em quase todo mundo, existindo pouquíssimas exceções. E essa permissão legal está incluída na lei de todos os 50 estados americanos. 

Biologicamente falando, o risco para a prole desse tipo de união ter algum tipo de anomalia genética é muito baixa, diferente do que ocorre com primos de primeiro grau ou parentes diretos como pai ou irmã. 

E se formos falar da religião da maioria das pessoas dos Estados Unidos, o cristianismo, a Bíblia não condena esse tipo de união, fazendo com que o cristão seja livre para decidir se aquilo lhe convém ou não. 

O que sobra então são valores morais, que podem variar de pessoa para pessoa e sendo influenciada por diversos fatores. E com base nisso, parte da fanbase se colocou contra essa união, por não ver com bons olhos que primos de segundo grau se casem.

Junto desse pessoal, também se juntaram aqueles que tinham outras visões do Alex e de Patricia, por conta do que a Capcom divulgou no passado, com Patricia não sentindo ainda um amor de mulher e sim vendo Alex como um irmão mais velho, conforme o livro Gamest Mook Vol. 81 WORLD SERIES Vol.4. E temos até mesmo quem preferiria vê-lo com Ibuki ou que ele fosse gay, com alguns torcendo para que ele tivesse algo com Ryu, mesmo no Gamest Mook Vol. 81 afirmando que o japonês gosta de mulheres que combinam com a primavera. 

Sim, canonicamente falando, é mais fácil acontecer algo entre ele e Chun-Li ou entre ele e Sakura, pois são duas mulheres que possuem a primavera referênciada em seus nomes (Chun-Li é "bela primavera" em chinês e Sakura é "flor de cerejeira" em japonês) do que com Alex.

Porém, no meio desse povo, começou a surgir pessoas com uma mentalidade mais problemática, afirmando que Alex seria um pedófilo ou aliciador, que ele se interessou por Patricia quando ela era um bebê, lembrando até aquela bizarrice de Jacob com a filha de Bella em Crepúsculo (que antes que algum fã da saga explique, eu sei o contexto, mas continua sendo bizarro).

Vocês não imaginam o nojo que senti lendo certas coisas, que demonstraram mais a podridão do coração de quem dizia isso do que com o que o jogo realmente mostra.

Antes de continuar, quero fazer uma observação. Dentre essas pessoas que reclamaram, nem todas estão agindo de forma irracional, apesar do descontentamento, não inventando motivos a mais para serem contra ao que foi feito. Alguns até comentam que a Capcom poderia ter trabalhado melhor essa questão. E isso vale também para os shipeiros que conseguem separar canon e headcanon. 

Voltando ao assunto, no meio dessa revolta, sobrou até para o Kenny Omega, onde teve gente o assediando sobre o Alex seja com pedidos para ele fazer algo ou fazendo comentários sem graça nenhuma.

Tanto que eu, no meu perfil do X, comentei que, se a Capcom mudasse algo, o ódio continuaria, afinal a coisa saiu de “eles são primos” para algo muito, MUITO pior.

E no meio dessa confusão, ainda colocaram o produtor de 3rd Strike no meio, distorcendo a surpresa dele quanto ao destino do personagem, afirmando que na verdade ele tinha odiado, coisa que ele não gostou nem um pouco.

Então, finalmente, veio o pronunciamento de Nakayama, junto de um link para o conto no site oficial:

Porém, o Nakayama também postou o conto na versão japonesa de seu perfil, para os japoneses. E eis a mensagem dele para esse público:

Sim, está escrito apenas "Noite dos Pais", sem nenhuma justificativa para algo a mais. Isso demonstra bem a diferença entre a fandom japonesa, que de uma maneira geral aceitou e não vê nada demais na lore do Alex, e parte da fandom ocidental que está fazendo escândalo, tendo opiniões distintas sobre isso.

Outro detalhe interessante é ele citar que irão revisar certas passagens, pois de fato, alguns termos em japonês, como o que foi utilizado para pai adotivo, como apontou Red Cyclone, não significam exatamente uma adoção legal e sim que Tom ficou cuidando de Alex por um tempo, o que poderia fazer com que as pessoas tivessem uma ideia errada sobre o contexto. E mesmo eu considerando a localização boa, de maneira geral, ela ainda comete seus deslizes, vide o caso do personagem Balrog/Vega, que na versão ocidental do modo World Tour, foi omitido que ele seria da Casa de La Cerda, o mesmo sobrenome que ele tem no anime SF II V.

E quanto ao conto? Temos Tom num bar conversando com um lugar vazio, representando o pai do Alex, falando sobre o casamento dos filhos deles. Mostrando que Tom o acolheu, que Patricia gostava da companhia de Alex, mesmo ele sendo um menino encrenqueiro e que na adolescência, Alex saiu de casa para viver sua vida, de forma independente. 

O interessante é que ambas as versões do conto se complementam, pois a versão em inglês possui uns detalhes a mais e a japonesa é mais direta ao ponto. Vemos também que Tom teve suas falhas como pai, mas, ao menos no meu ponto de vista, isso não mostra que ele seja um pai ruim, é só notarem o quanto Alex e Patricia gostam dele. E sim que ele, assim como pais do mundo real, por mais amorosos que sejam, podem falhar em algum momento.

Uma coisa que, de fato, chama a atenção é ele não citar, em nenhum momento, que a mãe de Alex é prima dele, o que poderia indicar, talvez, que houve um pequeno retcon apenas nessa parte.

Caso queira conferir você pode ler a versão em inglês aqui e a versão japonesa aqui.

De resto, como o casamento com Patricia, a história se manteve e… O ódio continuou. Eu, infelizmente, estava certa.

Percebam, mesmo eliminando da equação o fator prima, os revoltosos continuaram insistindo de que isso seria incesto (mesmo não sendo irmãos biológicos e nem mesmo tendo adoção legal) e que Alex é um pedófilo (e alguns ainda complementam que ele seria um abusador).

Fora outros que reclamaram porque, a versão japonesa desconsiderou parte da lore do personagem em SF III no que se refere a Tom e Patricia, dizendo que a Capcom alterou detalhes da relação deles, quando na verdade, só acrescentou elementos sobre a vida do Alex nesse período e até complementa o pouco que vimos em SF V, com ele morando dentro de um trailer. Pois, o fato dele ter morado sozinho ainda na adolescência, não significa que Patricia ainda não o via como irmão até um certo período e menos ainda a questão de Tom parecer ser um mau pai, ao meu ver.

No fim, o que temos no meio de algumas reclamações justas, no sentido de apenas exporem o descontentamento sem ficar inventando motivos a mais, ou que foram feitas de maneira mais racional, por assim dizer, é simplesmente um grupo de pessoas que arranjam qualquer motivo para odiar, que irão distorcer qualquer coisa envolvendo o personagem para continuarem destilando o seu ódio. E tem aquelas que estão indo na onda, sem raciocinar muito.

Sinceramente, mesmo que a Capcom transformasse o Alex em gay, apaixonado pelo Ryu, iriam encontrar algum motivo para continuarem com o ódio. Não há saída. 

O pessoal está tão doente e obcecado nesse mar de podridão, que não apenas acusam quem discorda deles de algo sujo, como até mesmo criaram uma lista de “apoiadores de Pedófilos/abusadores” e estão adicionando quem discorda nessa lista. Sim, é isso mesmo. Você pode até achar que estou brincando, ou não acreditar, mas isso aconteceu com um colega após ele se pronunciar sobre o Alex. Tanto que, meu olho arregalou quando ele, furioso, contou o que fizeram.

Eles querem odiar, eles são como criaturas sedentas que NUNCA ficarão satisfeitas, mesmo que você dê o que eles querem. 

E sabe quais são os meus medos? Meu medo é que a Capcom vendo isso, não ouça mais a comunidade ocidental, devido ao comportamento dessas pessoas, pois, como disse, os japoneses estão tranquilos e até surpresos com tudo isso que está acontecendo (incluindo as fujoshi, ao menos as que conheço que são japonesas, só querem desenhar suas coisas em paz). Meu medo é que alguns dos engravatados da empresa, que tomam decisões arbitrárias, como a que teve recentemente em colocar a final da Capcom Cup em pay-per-view, terem a desculpa perfeita para não ouvir a comunidade em hipótese nenhuma.

E sabe, se isso acontecer, eu já quero deixar os meus sinceros parabéns aos envolvidos. Vocês são os culpados. Eu sei que talvez, eles nem irão ver o vídeo que fiz ou ler esse blog, até porque tem a barreira linguística, mesmo existindo a tradução automática do YouTube e tradutores on-line afinal, mas fica a mensagem.

Sendo bem sincera, pessoal, essas coisas em relação ao Alex me deixaram cansada e extremamente decepcionada com a fandom ocidental. A questão não é nem mais a pessoa achar que primos de segundo grau não podem ter algo a mais e sim que, em cada momento, inventam mais alguma coisa para odiar, mesmo não existindo no jogo, fazem acusações sérias, não apenas contra a Capcom, mas também a pessoas comuns, as acusando de serem incestuosas e até de apoiar assédio, abuso sexual e pedofilia. 

E a única coisa que consigo sentir agora é apenas nojo, porque temos uma amostra de como esses indivíduos conseguem ir tão baixo, de como eles são podres por dentro. 

Bem, termino por aqui. Eu sinceramente espero não ter que ficar voltando a esse assunto da questão familiar de Alex e o que o povo inventa. Chega até a me dar saudades do tempo onde, eu encontrava algo "mais leve" vinda da fandom ocidental, como maluco indo no perfil do Nakayama dar escândalo porque ele postou alguma imagem oficial insinuante de Ryu e Chun-Li, achando aquilo um absurdo, pois o Ryu tem que ficar sozinho. E olha que eu não tenho paciência para gente assim.

Até mais.

01 abril 2026

Sheng Long: A lenda lendária “imorrível” de SF, que se tornou canônica!


Depois de muito tempo, atualizando essa postagem clássica. Ela foi postada originalmente aqui no blog em 01/04/2017, sendo originária de um tópico que fiz no antigo Fórum Fighters. Atualizações em negrito.

Há muito tempo atrás, numa década e século nem tão distantes, surgiu um jogo de luta chamado Street Fighter. Um dia a empresa que tinha feito esse jogo, Capcom, resolveu que era hora de fazer o SF II. E aí surgiu uma das franquias de fighting games mais famosas de todos os tempos.

Numa época que internet era restrita a pouquíssimas pessoas, uma revista, chamada EGM, que costumava a pregar peças em seus leitores no dia 1º de abril, resolveu fazer uma brincadeira: Afirmou que, após cumprir certas condições, ao enfrentar M. Bison, um misterioso personagem aparecia e o derrotava. E agora, caberia ao jogador, derrotar este poderoso guerreiro, aquele que é, na verdade o mestre de Ryu e Ken, e quem Ryu citava na sua frase de vitória.

Você precisa derrotar Sheng Long para ter uma chance.

Eis que a brincadeira pegou muitos. Sheng Long tornou-se famoso, mesmo com a revista desmentindo depois. Muitos acreditavam no mito Sheng Long e nos EUA, durante um bom tempo esse nome era utilizado como sendo do mestre de Ryu e Ken, ao contrário do que ocorria no Japão, onde era Gouken. Aliás, foi revelado que nos bastidores de produção do jogo Street Fighter - The Movie, que iríamos ter o Sheng Long no jogo, sendo ele o mestre de Ryu e Ken.


Sheng Long continuou no imaginário dos jogadores e, de certa forma, deu origem ao personagem Gouki/Akuma, pois ele aparecia da mesma forma que Sheng Long, derrotando Bison.


Anos depois do nascimento do mito, surgiu SF III. Com o desaparecimento de quase todo o elenco, a mesma brincadeira foi feita e muitos acreditaram. Mas, Sheng Long não iria se tornar real. A não ser no Mugen, na mão de criadores de personagens originais. Aliás, tal notícia fake chegou a aparecer na extinta revista Ação Games.


Pode-se dizer que Sheng Long não foi esquecido. Quando a Capcom resolveu lançar SF IV, confirmou a presença do mestre de Ryu e Ken, porém, com uma aparência um pouco mais velha daquela que foi apresentada aos jogadores de SF Zero/Alpha. Ele estava bastante parecido com o nosso velho conhecido, Sheng Long.

"You must defeat me to stand a chance"
Uma de suas frases de vitória era uma brincadeira à tradução infame da frase de Ryu (já que Sheng Long é a pronúncia chinesa de Shoryuken), e que também seria frase dita por Sheng Long, quando ele te ganha.

Mas a “homenagem” ao mito, não parou por aí. Recentemente a versão japonesa do CFN Portal divulgou um profile que deixou muitos surpresos. Sim, a ficha de Sheng Long! Abaixo vocês poderão conferir a tradução feita pelo Eventhubs do profile do lendário personagem. E a título de curiosidade, a palavra “uso” que consta na imagem dele é o termo japonês para mentira, ou seja, tudo não passa de uma brincadeira.


Introdução 
Desta vez, temos o Mestre Sheng Long para vocês.
Qual é a relação dele com Ryu ...?!
Dominando as artes marciais, ele se transformou numa lenda viva.
Aparentemente, quem o vê, morre dentro de 24 horas. 
Informações Básicas 
Nome: Sheng Long
Altura: 185cm
Peso: 70kg
Tipo de sangue: Desconhecido
Aniversário: 1º de abril
País de origem: Desconhecido
Gosta: De hoje
Não gosta: Ferramentas de modificação

Profile 
Ele lança Hadoukens com uma mão, pode desencadear Shoryukens no ar, um verdadeiro artista marcial.
Ele é uma misteriosa presença que aparece se você continuar recebendo draws games!
Seus movimentos especiais, além de Hadouken, Shoryuken e Tatsumaki Senpukyaku, são: 
Jigoku Tomoenage - Um agarrão que derrota instantaneamente seu oponente
Renkoin - Ele continuará sendo ressuscitado várias vezes
Daihan - Irrita seu adversário
E outros golpes do tipo! 
Dentre eles, Sheng Long também tem a Critical Art Rei-In-Bou, onde ele muda de personalidade instantaneamente. Tanto poder para um 3-dan!

 

Então, em 2023, a Capcom lança Street Fighter 6 com uma novidade que é o modo World Tour, onde o jogador cria o seu personagem e se aventura pelo mundo de Street Fighter, lutando e treinando com personagens como Ryu, Ken e Chun-Li e até mesmo Andore, Roxy e Trasher. Dentre os adversários que seu personagem enfrenta há um que chama a atenção: O PRÓPRIO SHENG LONG!

O que era uma brincadeira de primeiro de abril, que foi referênciada até pela própria Capcom, se tornou real, com direito até do personagem usar o moveset de Ryu!


Sheng Long, após anos estando apenas no imaginário dos jogadores, assim como outros personagens lendários de outras franquias como Ashura (de Sonic) e Pedro (de Mortal Kombat), nos deu a oportunidade de enfrentá-lo para ter uma chance!

Curiosamente, apesar de ter sido a primeira vez que ele se tornou um personagem real num jogo dentro da linha principal (até porque ele é citado no jogo de arcade Street Fighter - The Movie), Sheng Long já tinha aparecido em quadrinhos oficiais do jogo fora do Japão, onde podemos citar:


  • Os quadrinhos de Street Fighter II da Malibu comics;

Sheng Long (de laranja) vs Zhan Hu

  • O manhua de Street Fighter II, produzido pela Jademan, onde ali ele era pai de Ryu;  


  • O manhua de Street Fighter Zero 3, onde ele também era pai do Ryu;


  • E aparentemente Sheng Long (ou talvez Gouken com o visual dele) iria estar presente em edições futuras do quadrinho brasileiro da Ed. Escala, antes dele ser cancelado.


Após a sua estreia em Street Fighter 6, Sheng Long ainda participou do quadrinho da UDON Street Fighter Origins: Sagat, além de, anteriormente, a UDON ter feito uma brincadeira de primeiro de abril com ele, fazendo uma capa fake de uma revista.


Quem diria que um personagem criado para primeiro de abril fosse chegar tão longe, servindo de inspiração para os desenvolvedores, não é? Então, parabéns, Sheng Long!

18 março 2026

O destino de Alex e a reação de alguns

Nihao! Alex finalmente está entre nós, junto com o novo balanceamento, que está sendo critica. Porém, em vez de falarem da gameplay, se ainda teremos Mai e Ed sendo demônios top tier no jogo, a discussão foi sobre o Alex ter se casado com Patricia e alguns querendo impor a sua própria moral (que é um conceito relativo, influenciado por uma série de fatores, conforme você pode ler aqui), com direito a acusações sérias, violência verbal e ataques e até pessoas que definitivamente não possuem uma relação saudável com ship e/ou headcanon, se unindo ao coro porque o personagem não é da sexualidade que a pessoa imaginou.

Então vamos aos pontos da lore do personagem, o que foi dito no passado, como é agora e porque o pessoal estrapolou nos comentários.

Ao conversar com Tom, o seu avatar termina descobrindo que o Alex perdeu os pais muito jovem. Não há confirmações sobre que idade ele teria naquele momento, só se sabe que ele era um garoto quando aconteceu.

E nisso, terminamos descobrindo que pode ter acontecido um retcon na lore do Alex, pois, como explicou Red Cyclone, pelo visto, em japonês, dava a entender que os pais de Alex poderiam estar vivos, mas que por algum motivo, foram separados de Alex. Inclusive, vemos que a ideia dos pais mortos está presente nos quadrinhos da UDON.

Tom o acolheu e aqui vemos outro ponto interessante.No original em japonês, o termo utilizado para se refereir a adoção de Alex por Tom é bem amplo, que inclui não apenas a adoção formal e sim algo mais abrangente. Alex o vê como uma figura paterna, da mesma forma que Ed vê M.Bison/Balrog como um pai. Porém, o fato de Alex ter essa visão, não significa exatamente que ele sempre viu ou continuaria vendo Patricia como irmã, até porque ela NÃO é sua irmã de sangue.

E agora chegamos ao ponto crucial: Patricia. 

No livro Street Fighter III Fan Book (Gamest Mook Vol. 81 WORLD SERIES Vol.4), Patricia, que tem 14 anos naquele momento, ainda via Alex como um irmão mais velho. Porém, como o próprio Tom explica ao conversar com o seu personagem no SF 6, ele notou que, com a chegada da adolêscencia, a coisa começou a mudar e que ele desconfia que Patricia, no fundo, sempre amou Alex, mas que ele não tinha percebido isso. 

O relacionamento deles não foi algo automático, demorou a acontecer. E a título de curiosidade, Patricia em 3rd Strike estava com 15.

E aqui, temos um ponto que muitos estão utilizando para acusar o personagem de pedofilia. Apesar da SF Wiki listar que Alex seria do ano de 1978, eu até o momento não encontrei alguma fonte que confirme esse ano de nascimento (assim que encontrar, irei atualizar aqui), fazendo com que sua diferença de idade para Patricia seja de, talvez, 5 anos. 

Levando em conta que não temos uma explicação de quando exatamente Patricia começou a ver Alex com outros olhos ou quando ela percebeu o que era os seus próprios sentimentos e que teve uma demora até acontecer algo, seria um tanto forçado essa afirmação, ainda mais que o salto de tempo entre Street Fighter III e Street Fighter 6 parece ser bem grande, é só compararem como era a Li Fen no SF V e SF III (uma criança) e ela atualmente (final da adolescência ou início da vida adulta). Ou seja, Alex e Patricia são dois adultos e qualquer coisa além disso é especulação e coisa de uma mente realmente problemática.

E agora chegamos ao verdadeiro ponto da discórdia, que é quando terminamos sabendo mais sobre Tom. Ele é primo da mãe de Alex. Issso faz com que Patricia seja uma parente distante dele, popularmente falando, uma prima de segundo grau. 

Isso causou um alvoroço e o personagem foi do céu ao inferno com a fandom (basicamente a ocidental, visto que a repercussão no Japão, aparentemente não teve tal proporção), com muitos indignados com o que poderia ser incesto. 

E bem, agora eu terei que bancar a "Decepção" no que se refere a essa questão e eu sei que alguns vão me odiar (entra na fila, tem um monte de gringo me xingando agora).

No ponto de vista de leis, excetuando poucos locais, os ditos "primos de segundo grau", não são considerados parentes próximos ou até mesmo nem parentes. Nos próprio EUA, Japão e aqui no Brasil, casamentos entre pessoas como Alex e Patricia, não são proibidos. Isso NÃO é visto como incesto.

Agora, chegando na questão moral, lembra que no começo desse artigo, eu disse que a moral é relativa? Então, o caso de Alex e Patricia é um exemplo prático.

Algumas pessoas considera a relação deles como algo proibido, por serem primos, mesmo sendo distante. Porém, nem todos possuem o mesmo entendimento, em diversos locais, incluindo o Brasil, casamento entre esses tipos de primos NÃO é incomum, independente se eu ou você concorde com isso ou não. O que quero dizer é que muita gente realmente NÃO SE IMPORTA E NÃO ACHA ISSO ERRADO.

E é esse um ponto que essa galera enfurecida não está entendendo, pois acreditam que a sua visão e moral é a mesma de outras pessoas, quando, na verdade, NÃO É. Falta a eles ter essse entendimento e maturidade de que, algo do ponto de vista moral que seja errado para você, talvez não seja errado para o seu vizinho. Justamente porque o conceito de moral é RELATIVA e possui influência de diversos fatores.

No fim, essas pessoas se equiparam aos religiosos que querem impor as normas de sua religião naquelas pessoas que não seguem tal religião. E termina sendo um tipo de debate que, quando acaba o argumento, te atacam e xingam, por não conseguirem refutar.

Isso porque ainda tem aqueles que, na sua revolta, começa a fazer acusações que nem existem e quer coordenar ataques a empresa por conta disso. Fora tentativas de campanhas de cancelamento contra pessoas que discordaram da visão deles.

E por último, temos os fãs fervorosos de ship e headcanon, que estão acusando até a Capcom de queerbaiting, após terem a certeza absoluta de que Alex seria gay, sem nenhum motivo forte na lore que indicasse isso (o que difer, por exemplo de Juri, que desde a sua estreia parece gostar de rapazes e garotas) e começaram a shipar ele com o Ryu (só lembrando que o Ryu é hétero, ainda gostando de um tipo específico de mulher que alimenta teorias dos fãs) por conta do trailer e que se uniram ao coro, ao descobrir que o seu headcanon não é canônico.

Arte por Trecomics, uma das várias artistas que são assumidamente fujoshi que sigo.

Sabe, eu não vejo problema nenhum em ter ships, todos aqui sabem que eu possuo os meus, assim como também tenho os meus headcanon. E menos ainda tenho problema com ship yaoi ou yuri, eu, de fato, gosto de alguns e sigo diversas artistas que fazem yaoi por curtir o traço delas e isso incluo quem faz arte de Ryu com Ken.

E faço questão de deixar isso claro, visto que para alguns, você criticar a estupidez de certas pessoas equivale a você ter preconceito contra um determinado grupo. Mesmo que essas pessoas não percebam que, ao fazer isso, só está dando mais certeza para muitos do quanto a comunidade de ship pode ser estúpida, aumentado de fato o preconceito existente.

Existem fujoshi que só querem ficar na delas curtindo as suas coisas e fazendo suas artes, mas esses (que nem são exatamente fujoshi) que estão agindo de forma desproporcional porque o seu headcanon não é real estão agindo como se o que eles imaginaram tivesse sido algo estabelecido mas que foi mudado de uma hora para outra sem a devida explicação. 

Chega a ser até vergonha alheia ler que a Capcom casou o Alex com a prima para não dizer que ele é gay ou coisa assim. CLARO,  a mesma Capcom que criou uma personagem como a Marisa, que é abertamente bissexual e poliamorosa e a mesma Capcom que em Capcom vs SNK deixou no ar que o personagem Eagle é homossexual. Sem contar que é a mesma Capcom que está deixando a fandom com a pulga atrás da orelha sobre se a Cammy tem algo a mais com a Juni.

E no jogo, Alex no modo arcade luta novamente contra Ryu e o lutador japonês fica feliz de ver que Alex está bem no caminho que ele escolheu, que é diferente do dele. Em termos de lore Ryu e Alex possuem uma rivalidade amigável, mesmo que Alex não faça parte do círculo de amigos amigos íntimos de Ryu. 

Comentário de alguém sobre uma fanart yaoi omegaverse de Ryu e Alex, dizendo que aquilo seria canon na visão dele. Um exemplo de alguém que ficou chateado não apenas com o destino de Alex, como também, de quem não gostou de ver que seu headcanon não era canon.

E essa rivalidade começou na série SF III, porém sem indício de que estaria acontecendo algo a mais entre eles, o que torna o queerbaiting apenas um erro cometido por quem curte ver eles juntos ou o Alex com um homem. E mais uma vez, lembrando, eu não vejo problemas se você acha esse ship legal e quer continuar shipando e fazendo artes deles. A questão aqui são aquelas pessoas que misturam canon com headcanon.

No fim das contas, o que temos é uma mistura de:

  • Descontentamento sobre algo do personagem;
  • Desconhecimento da lore;
  • Imposição da própria moral pessoal como se ela fosse um valor universal absoluto;
  • Acusações sobre coisas que não existem no jogo;
  • Pessoas chateadas que seu headcanon não se tornou real e não sabem lidar com isso.

E para terminar, conversando com um amigo sobre sobre essa questão, ele ficou se perguntando se isso não foi premeditado. Veja, na lore do jogo o próprio Alex, ao contar sobre a sua trajetória, fala que ele foi um herói nos ringues, mas que foi rejeitado, se tornando um vilão no wrestling e que está tudo bem, pois ele está acostumado com isso.se pararem para pensar, dsaria para fazer um paralelo com ele no mundo real. Alex nasceu como o novo protagonista de SF III e foi rejeitado, ele volta como um "vilão" em SF 6 e é odiado novamente pelo público. Mas tá tudo bem, afinal, ele está acostumado com isso.

Obs: A maior ironia disso tudo é ver o pessoal querendo cancelar o boneco quando temos verdadeiramente o mal encarnado em Street Fighter e praticamente ninguém reclama dele (ou são poucos) por motivos morais (adoro o Vega/Bison, mas convenhamos, ele fez coisa pior que o Alex na lore). 

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