Nihao! Alex finalmente está entre nós, junto com o novo balanceamento, que está sendo critica. Porém, em vez de falarem da gameplay, se ainda teremos Mai e Ed sendo demônios top tier no jogo, a discussão foi sobre o Alex ter se casado com Patricia e alguns querendo impor a sua própria moral (que é um conceito relativo, influenciado por uma série de fatores, conforme você pode ler aqui), com direito a acusações sérias, violência verbal e ataques e até pessoas que definitivamente não possuem uma relação saudável com ship e/ou headcanon, se unindo ao coro porque o personagem não é da sexualidade que a pessoa imaginou.
Então vamos aos pontos da lore do personagem, o que foi dito no passado, como é agora e porque o pessoal estrapolou nos comentários.
Ao conversar com Tom, o seu avatar termina descobrindo que o Alex perdeu os pais muito jovem. Não há confirmações sobre que idade ele teria naquele momento, só se sabe que ele era um garoto quando aconteceu.
両親とは生き別れ、父の友人でるトムに引き取られた。UDONコミックに両親の葬儀のシーンが描かれているため死別と誤解されやすいが、公式では存命である。たまに実の両親のことを想うこともあるというが、今はトムとその娘パトリシアを本当の家族のように思っている。 pic.twitter.com/KIm4zBJ6JG
— りょう@Street Fighter (@ryo_redcyclone) January 9, 2026
E nisso, terminamos descobrindo que pode ter acontecido um retcon na lore do Alex, pois, como explicou Red Cyclone, pelo visto, em japonês, dava a entender que os pais de Alex poderiam estar vivos, mas que por algum motivo, foram separados de Alex. Inclusive, vemos que a ideia dos pais mortos está presente nos quadrinhos da UDON.
日本で「育ての親」という言葉は「養子縁組した養父母」「実際に養育した親」「(スポーツなど)ある物事の育成に尽力した人」という複数の意味を持つ。しかし英語訳の「adoptive dad」は「養子縁組(adoption)によって法的に子供を引き取った父親」という限定的な意味を持つらしい。 https://t.co/3CksfIUWgA pic.twitter.com/524TY2WIJ8
— りょう@Street Fighter (@ryo_redcyclone) March 17, 2026
Tom o acolheu e aqui vemos outro ponto interessante.No original em japonês, o termo utilizado para se refereir a adoção de Alex por Tom é bem amplo, que inclui não apenas a adoção formal e sim algo mais abrangente. Alex o vê como uma figura paterna, da mesma forma que Ed vê M.Bison/Balrog como um pai. Porém, o fato de Alex ter essa visão, não significa exatamente que ele sempre viu ou continuaria vendo Patricia como irmã, até porque ela NÃO é sua irmã de sangue.
E agora chegamos ao ponto crucial: Patricia.
No livro Street Fighter III Fan Book (Gamest Mook Vol. 81 WORLD SERIES Vol.4), Patricia, que tem 14 anos naquele momento, ainda via Alex como um irmão mais velho. Porém, como o próprio Tom explica ao conversar com o seu personagem no SF 6, ele notou que, com a chegada da adolêscencia, a coisa começou a mudar e que ele desconfia que Patricia, no fundo, sempre amou Alex, mas que ele não tinha percebido isso.
O relacionamento deles não foi algo automático, demorou a acontecer. E a título de curiosidade, Patricia em 3rd Strike estava com 15.
E aqui, temos um ponto que muitos estão utilizando para acusar o personagem de pedofilia. Apesar da SF Wiki listar que Alex seria do ano de 1978, eu até o momento não encontrei alguma fonte que confirme esse ano de nascimento (assim que encontrar, irei atualizar aqui), fazendo com que sua diferença de idade para Patricia seja de, talvez, 5 anos.
Levando em conta que não temos uma explicação de quando exatamente Patricia começou a ver Alex com outros olhos ou quando ela percebeu o que era os seus próprios sentimentos e que teve uma demora até acontecer algo, seria um tanto forçado essa afirmação, ainda mais que o salto de tempo entre Street Fighter III e Street Fighter 6 parece ser bem grande, é só compararem como era a Li Fen no SF V e SF III (uma criança) e ela atualmente (final da adolescência ou início da vida adulta). Ou seja, Alex e Patricia são dois adultos e qualquer coisa além disso é especulação e coisa de uma mente realmente problemática.
E agora chegamos ao verdadeiro ponto da discórdia, que é quando terminamos sabendo mais sobre Tom. Ele é primo da mãe de Alex. Issso faz com que Patricia seja uma parente distante dele, popularmente falando, uma prima de segundo grau.
Isso causou um alvoroço e o personagem foi do céu ao inferno com a fandom (basicamente a ocidental, visto que a repercussão no Japão, aparentemente não teve tal proporção), com muitos indignados com o que poderia ser incesto.
E bem, agora eu terei que bancar a "Decepção" no que se refere a essa questão e eu sei que alguns vão me odiar (entra na fila, tem um monte de gringo me xingando agora).
No ponto de vista de leis, excetuando poucos locais, como a China, os ditos "primos de segundo grau", não são considerados parentes próximos ou até mesmo nem parentes. Nos próprio EUA, Japão e aqui no Brasil, casamentos entre pessoas como Alex e Patricia, não são proibidos. Isso NÃO é visto como incesto.
Agora, chegando na questão moral, lembra que no começo desse artigo, eu disse que a moral é relativa? Então, o caso de Alex e Patricia é um exemplo prático.
Algumas pessoas considera a relação deles como algo proibido, por serem primos, mesmo sendo distante. Porém, nem todos possuem o mesmo entendimento, em diversos locais, incluindo o Brasil, casamento entre esses tipos de primos NÃO é incomum, independente se eu ou você concorde com isso ou não. O que quero dizer é que muita gente realmente NÃO SE IMPORTA E NÃO ACHA ISSO ERRADO.
E é esse um ponto que essa galera enfurecida não está entendendo, pois acreditam que a sua visão e moral é a mesma de outras pessoas, quando, na verdade, NÃO É. Falta a eles ter essse entendimento e maturidade de que, algo do ponto de vista moral que seja errado para você, talvez não seja errado para o seu vizinho. Justamente porque o conceito de moral é RELATIVA e possui influência de diversos fatores.
No fim, essas pessoas se equiparam aos religiosos que querem impor as normas de sua religião naquelas pessoas que não seguem tal religião. E termina sendo um tipo de debate que, quando acaba o argumento, te atacam e xingam, por não conseguirem refutar.
Isso porque ainda tem aqueles que, na sua revolta, começa a fazer acusações que nem existem e quer coordenar ataques a empresa por conta disso. Fora tentativas de campanhas de cancelamento contra pessoas que discordaram da visão deles.
E por último, temos os fãs fervorosos de ship e headcanon, que estão acusando até a Capcom de queerbaiting, após terem a certeza absoluta de que Alex seria gay, sem nenhum motivo forte na lore que indicasse isso (o que difer, por exemplo de Juri, que desde a sua estreia parece gostar de rapazes e garotas) e começaram a shipar ele com o Ryu (só lembrando que o Ryu é hétero, ainda gostando de um tipo específico de mulher que alimenta teorias dos fãs) por conta do trailer e que se uniram ao coro, ao descobrir que o seu headcanon não é canônico.
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| Arte por Trecomics, uma das várias artistas que são assumidamente fujoshi que sigo. |
Sabe, eu não vejo problema nenhum em ter ships, todos aqui sabem que eu possuo os meus, assim como também tenho os meus headcanon. E menos ainda tenho problema com ship yaoi ou yuri, eu, de fato, gosto de alguns e sigo diversas artistas que fazem yaoi por curtir o traço delas e isso incluo quem faz arte de Ryu com Ken.
E faço questão de deixar isso claro, visto que para alguns, você criticar a estupidez de certas pessoas equivale a você ter preconceito contra um determinado grupo. Mesmo que essas pessoas não percebam que, ao fazer isso, só está dando mais certeza para muitos do quanto a comunidade de ship pode ser estúpida, aumentado de fato o preconceito existente.
Existem fujoshi que só querem ficar na delas curtindo as suas coisas e fazendo suas artes, mas esses (que nem são exatamente fujoshi) que estão agindo de forma desproporcional porque o seu headcanon não é real estão agindo como se o que eles imaginaram tivesse sido algo estabelecido mas que foi mudado de uma hora para outra sem a devida explicação.
Chega a ser até vergonha alheia ler que a Capcom casou o Alex com a prima para não dizer que ele é gay ou coisa assim. CLARO, a mesma Capcom que criou uma personagem como a Marisa, que é abertamente bissexual e poliamorosa e a mesma Capcom que em Capcom vs SNK deixou no ar que o personagem Eagle é homossexual. Sem contar que é a mesma Capcom que está deixando a fandom com a pulga atrás da orelha sobre se a Cammy tem algo a mais com a Juni.
E no jogo, Alex no modo arcade luta novamente contra Ryu e o lutador japonês fica feliz de ver que Alex está bem no caminho que ele escolheu, que é diferente do dele. Em termos de lore Ryu e Alex possuem uma rivalidade amigável, mesmo que Alex não faça parte do círculo de amigos amigos íntimos de Ryu.
E essa rivalidade começou na série SF III, porém sem indício de que estaria acontecendo algo a mais entre eles, o que torna o queerbaiting apenas um erro cometido por quem curte ver eles juntos ou o Alex com um homem. E mais uma vez, lembrando, eu não vejo problemas se você acha esse ship legal e quer continuar shipando e fazendo artes deles. A questão aqui são aquelas pessoas que misturam canon com headcanon.
No fim das contas, o que temos é uma mistura de:
- Descontentamento sobre algo do personagem;
- Desconhecimento da lore;
- Imposição da própria moral pessoal como se ela fosse um valor universal absoluto;
- Acusações sobre coisas que não existem no jogo;
- Pessoas chateadas que seu headcanon não se tornou real e não sabem lidar com isso.
E para terminar, conversando com um amigo sobre sobre essa questão, ele ficou se perguntando se isso não foi premeditado. Veja, na lore do jogo o próprio Alex, ao contar sobre a sua trajetória, fala que ele foi um herói nos ringues, mas que foi rejeitado, se tornando um vilão no wrestling e que está tudo bem, pois ele está acostumado com isso.se pararem para pensar, dsaria para fazer um paralelo com ele no mundo real. Alex nasceu como o novo protagonista de SF III e foi rejeitado, ele volta como um "vilão" em SF 6 e é odiado novamente pelo público. Mas tá tudo bem, afinal, ele está acostumado com isso.
Obs: A maior ironia disso tudo é ver o pessoal querendo cancelar o boneco quando temos verdadeiramente o mal encarnado em Street Fighter e praticamente ninguém reclama dele (ou são poucos) por motivos morais (adoro o Vega/Bison, mas convenhamos, ele fez coisa pior que o Alex na lore).
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